Os Simpsons ressuscitam personagem depois de quase uma década, em especial de Halloween

  • 20/10/2026
(Foto: Reprodução)
Apu e sua esposa Manjula, ao lado dos filhos. FOX via AP Ao longo das 38 temporadas de “Os Simpsons”, os episódios especiais de Halloween, conhecidos como “A Casa da Árvore dos Horrores”, sempre foram uma atração à parte, com histórias assustadoras independentes. No domingo (18), a série surpreendeu os espectadores com uma grande ressurreição: Apu, o querido dono da loja de conveniência Kwik-E-Mart, que não era ouvido havia quase uma década, voltou a falar em Springfield. Ele e sua esposa, Manjula, retornaram com uma trama importante — e com as vozes de atores americanos de origem indiana: Sunil Malhotra, veterano profissional de dublagem, e Janina Gavankar, de “The Morning Show”. “Trazer Apu de volta parece uma retomada. É realmente o retorno dele para casa”, disseram Malhotra e Gavankar em uma publicação conjunta no Instagram no domingo. O retorno inesperado de Apu representa uma reviravolta significativa em uma discussão que dura anos sobre como o personagem foi retratado como um estereótipo doloroso por parte dos americanos de origem sul-asiática. Depois do documentário de 2017 do comediante Hari Kondabolu, “The Problem With Apu” (“O problema com Apu”, em tradução livre), o personagem praticamente desapareceu das telas. Agora no g1 Como um documentário se tornou um divisor de águas Em “The Problem With Apu”, Kondabolu, que se descreve como fã da série da Fox, tentou compreender suas próprias ressalvas em relação ao personagem. Ele entrevistou várias celebridades de origem sul-asiática, entre elas Kal Penn, Utkarsh Ambudkar e Hasan Minhaj, sobre as experiências que tiveram ao crescer assistindo à série. Eles compartilharam lembranças de terem sofrido bullying e de terem sido chamados de “Apu” como insulto. A percepção de que o personagem era apenas uma caricatura também era reforçada pelo fato de que Hank Azaria, um ator branco, dava voz a ele. Com o nome completo de Apu Nahasapeemapetilon Jr., o personagem era visto como o “estrangeiro para sempre, alguém que representa os indianos nos Estados Unidos por meio desse único estereótipo: ser dono de uma loja de conveniência, ser um imigrante recém-chegado, ter um sotaque carregado e ter uma identidade americana bastante limitada”, afirma Bhoomi Thakore, professora assistente de sociologia da Universidade de Connecticut. Thakore observa que o filme de Kondabolu levantou a questão de que Apu era a única representação de um personagem indiano conhecida pela maioria das pessoas quando estreou, em 1990. Azaria deixou o papel depois do documentário, embora tenha continuado a dublar outros personagens de “Os Simpsons”. Apu ficou em silêncio e passou a aparecer apenas ao fundo das cenas. Kondabolu, no entanto, nunca pediu que Apu fosse cancelado. Na segunda-feira, ele elogiou “Os Simpsons” por encontrar “uma solução inteligente para tudo isso” e contratar Malhotra e Gavankar. “Também continuo orgulhoso da conversa pública sobre raça e representatividade que meu documentário iniciou”, disse ele à Associated Press, em uma declaração enviada por e-mail. “Por fim, espero que isso acabe com todas as mensagens de ódio, em vários idiomas, que recebi ao longo da última década.” Hari Kondabolu, autor do documentário que questionou racismo em Apu, e Janina Gavankar, que se tornou a dubladora da esposa de Apu.. Willy Sanjuan/Invision/Chris Pizzello/AP Depois de anos em segundo plano, Apu parece ter vindo para ficar Em um episódio de 2018, “Os Simpsons” respondeu ao documentário de Kondabolu mostrando Lisa Simpson lamentar que “algo que começou décadas atrás e era aplaudido e considerado inofensivo agora é politicamente incorreto. ... O que se pode fazer?”. Em seguida, a câmera mostrou uma fotografia emoldurada de Apu. Alguns consideraram a piada uma resposta fraca, por não abordar diretamente a controvérsia. Em uma entrevista ao "The New York Times" em 2020, Azaria, que já não dublava Apu havia alguns anos, anunciou que deixaria o papel porque “simplesmente não parecia certo”. Mais tarde naquele ano, em resposta às manifestações contra o racismo, “Os Simpsons” anunciou que não escalaria mais atores brancos para dublar personagens negros ou de outras minorias raciais. A série então substituiu os dubladores de dois personagens negros — Carl Carlson e Dr. Julius Hibbert — por atores negros. Kondabolu confirmou à AP que não conversou com os produtores de “Os Simpsons” sobre o retorno de Apu, “mas eles não me deviam isso”. E, ao que tudo indica, Apu veio para ficar. “Nós amamos esse personagem e queríamos trazê-lo de volta de uma maneira inteligente, com a cara de ‘Os Simpsons’, que permitisse que ele evoluísse”, afirmou o produtor executivo Matt Selman em um comunicado. “Estamos entusiasmados com o que Sunil já trouxe para o papel e esperamos ver mais de Apu no futuro.” Apu também foi acolhido por sul-asiáticos, apesar da controvérsia Poucas semanas depois de “Os Simpsons” responder ao documentário, o escritor e produtor Amar Shah publicou uma série de textos nas redes sociais e, em seguida, um artigo de opinião no The Washington Post para explicar por que sentia sobretudo nostalgia em relação a Apu. Ao assistir ao personagem, ele se lembrava do próprio pai indiano trabalhando duro como dono de uma loja de conveniência e de como isso marcou sua infância na Flórida. “Apu ainda é um personagem que eu não me importaria que meus filhos vissem representado, porque eles reconheceriam aspectos de si mesmos e dos próprios avós”, afirma Shah, ao recordar seu artigo de 2018. “Consigo compreender perfeitamente que alguém de origem sul-asiática tenha uma perspectiva diferente da minha, mas essa é a minha infância. Essa é a minha história.” Depois de assistir ao episódio mais recente, Shah não percebeu uma diferença significativa na interpretação de Malhotra. “Obviamente, há uma voz, uma entonação, uma textura diferentes e tudo mais. Mas o personagem sempre estará ali, com sua humanidade genuína”, diz Shah. “Acho que teria sido muito melhor se tivessem incorporado essa mudança antes.” Em meio ao aumento do ódio contra sul-asiáticos, retorno de Apu é bem recebido Apu está sendo resgatado em um contexto de aumento do ódio contra pessoas de origem sul-asiática e indiana. A organização Stop AAPI Hate e outros grupos de pesquisa constataram que o uso de insultos racistas e ameaças contra sul-asiáticos e indianos na internet cresceu nos últimos anos. Bo French, candidato republicano à Comissão Ferroviária do Texas, publicou recentemente uma foto de estudantes sul-asiáticos da Universidade do Texas comemorando durante um jogo de futebol americano e os chamou de “um problema”. Na semana passada, um homem foi acusado de planejar um ataque a tiros em massa contra um templo hindu nos arredores de Chicago. Nesse cenário, Shah considera positiva a abordagem cuidadosa da série para trazer o personagem de volta. “É ótimo ver que a série evoluiu com o tempo e agora, especialmente diante da discriminação e, de fato, do alvo que os sul-asiáticos e os americanos de origem indiana têm sido ultimamente — com questionamentos sobre nosso patriotismo, nossa identidade americana e até sobre sermos fãs de futebol americano universitário”, afirma. O retorno também coincide com uma presença muito maior de americanos de origem sul-asiática em posições de destaque, como a atriz e produtora de séries Mindy Kaling, e de pessoas que romperam barreiras na política, como o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e a ex-vice-presidente Kamala Harris. Quando Apu apareceu pela primeira vez, afirma Shilpa Davé, professora associada de estudos de mídia da Universidade da Virgínia, ele era uma das poucas representações recorrentes de sul-asiáticos na televisão. Agora, ela diz, “os sul-asiáticos passaram a fazer parte do cenário, de ‘Bridgerton’ a ‘Eu Nunca...’, e há uma grande variedade de diferentes formas de representação”.

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2026/10/20/os-simpsons-ressuscitam-personagem-depois-de-quase-uma-decada-em-especial-de-halloween.ghtml


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