'O Outro Lado das Redes' deveria ser obrigatório nos cursos de Jornalismo; g1 já viu

  • 20/10/2026
(Foto: Reprodução)
Trailer dublado de 'O Outro Lado das Redes'. “O Outro Lado das Redes” estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (22), numa ótima hora. Escrito e dirigido por Aaron Sorkin (“A Rede Social” e “Os 7 de Chicago”), o longa reconstitui os bastidores de um caso emblemático: a investigação jornalística “The Facebook Files”, publicada pelo "The Wall Street Journal" em 2021, que revelou documentos internos e criminosos do Facebook. O filme remonta, de maneira instigante, a saga da apuração feita pelo repórter Jeff Horwitz, que teve acesso a informações sigilosas vazadas por Frances Haugen, na época, engenheira do Facebook. É a partir desse material que ele revela algo que, hoje, todos sabemos. O algoritmo da rede social priorizava distribuir conteúdos extremistas, conhecidos como rage bait (“iscas de raiva”), para gerar mais engajamento, prolongar o tempo de tela dos usuários e, consequentemente, aumentar os lucros da empresa. Essa decisão consciente favoreceu a disseminação de discursos de ódio contra minorias e muita, muita desinformação. Jeremy Allen White e Mikey Maddison em 'O Outro Lado das Redes' Divulgação O elenco reúne Jeremy Allen White, protagonista de “The Bear”, no papel de Horwitz. Mikey Madison, vencedora do Oscar por “Anora”, como Haugen, e Jeremy Strong, de “Succession”, na pele de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook e atual CEO da Meta (Instagram, Whatsapp, Threads, Messenger). A discussão ganha ainda mais eco no Brasil neste período eleitoral, na qual as redes do magnata americano têm sido acusadas de desequilibrar o debate político. Com o segundo turno das eleições presidenciais marcado para domingo (25), o tema é urgente. A peleja nossa de todos os dias Assim como toda apuração jornalística, “O Outro Lado das Redes” começa no momento zero. É só depois disso que o filme vai se desenrolando, à medida que o repórter encontra novas e novas pistas, até conseguir estabelecer o fio completo da investigação. É a peleja de todos os dias vivida por quem é repórter. Horwitz é um personagem curioso: um jornalista que não entende nadinha de tecnologia (é setorista de política), e tem dificuldades até de mexer no Waze do celular. E isso é importante para toda a sua construção, porque ele precisa aprender a lidar com termos e códigos dificílimos da área. O que lhe sobra é o faro: de desconfiar, perguntar, insistir. 'O Outro Lado das Redes' Divulgação Frances é quem fornece os documentos que o ajudam a, enfim, revelar como o Facebook escolheu lidar com conteúdos odientos, ameaças e publicações mentirosas. É ela quem revela como, de forma proposital, o algoritmo da rede "encurralava" milhões e milhões de usuários até páginas de direita. ENTENDA O CASO: Meta, dona do Instagram, enfrenta novo julgamento nos EUA por vício em redes sociais Sorkin alterna a narrativa entre 2019 e 2021, atravessando a pandemia de coronavírus e mostrando como as fake news influenciaram aquele período. Em uma das cenas, uma mulher se recusa a usar máscara dentro de um supermercado. Em outra, um homem afirma, durante uma conversa num bar, que o vírus seria causado por torres de 5G. Os dois haviam lido essas informações no Facebook. São diálogos fictícios, ambientados nos Estados Unidos, fazem lembrar o que vivemos no Brasil nos últimos anos. Atuações sustentam história 'O Outro Lado das Redes' Divulgação Mikey Madison vai muito bem como Frances, uma nerd extremamente correta, tímida e com certa dificuldade de articulação. Jeremy Allen White dá vida a um jornalista sagaz e incansável, disposto a esticar a corda e comprar briga até com editores e chefes do jornal, que em alguns momentos hesitam em levar a apuração adiante. Jeremy Strong, por sua vez, está ótimo como a nova versão de Zuckerberg. Em “A Rede Social”, filme que funciona como antecessor deste, o papel coube a Jesse Eisenberg, cuja atuação lhe rendeu indicações ao BAFTA, ao Globo de Ouro e ao Oscar. Strong reproduz com precisão os trejeitos e o jeito quase robótico do empresário, sem transformar o personagem em caricatura ou esquete de humor. Blindados contra a imprensa? Mark Zuckerberg é interpretado por Jeremy Strong no filme 'O Outro Lado das Redes' Divulgação “O Outro Lado das Redes” poderia dividir a prateleira com “The Post — A Guerra Secreta” e “She Said (Ela Disse)”, filmes recentes que mostram como grandes investigações jornalísticas, em diferentes épocas e lugares do mundo, ajudaram a mudar o curso da história. Todos poderiam ser exibidos nos primeiros períodos do curso de Jornalismo, além de dois clássicos sobre mídia e imprensa que completam 50 anos em 2026: "Rede de Intrigas" e "Todos os Homens do Presidente". Uma cena especialmente simbólica mostra o empresário em um escritório protegido, com sofás e monitores à prova de balas. Em outra sequência, mais a frente, ele recebe a notícia de que o jornal levará adiante a investigação e publicará uma série de reportagens sobre o Facebook. Ao longo da trama, o roteiro constrói a imagem de um Zuckerberg aparentemente intocável, assim como a da classe política que se beneficia desse tipo de discurso e ajuda a protegê-lo. O desfecho do filme mostra que eles não são. Cartela resenha crítica g1 Arte/g1

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2026/10/20/o-outro-lado-das-redes-deveria-ser-obrigatorio-nos-cursos-de-jornalismo-g1-ja-viu.ghtml


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