'O morro dos ventos uivantes' subverte clássico subversivo com beleza, exagero e tesão; g1 já viu
09/02/2026
(Foto: Reprodução) g1 já viu: 'O morro dos ventos uivantes' subverte clássico
O novo "O morro dos ventos uivantes" é um baita filme – só não é o filme que talvez os fãs do clássico literário de Emily Brontë estivessem esperando.
A nova adaptação, talvez a milésima para o cinema ou para a TV, do livro de 1847 estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (12) como a subversão de uma história subversiva.
Para isso, a diretora Emerald Fennell abraça visuais deslumbrantes, uma trilha sonora exagerada e muito tesão, em especial entre Margot Robbie ("Barbie") e Jacob Elordi ("Euphoria").
É como se a cineasta pegasse aquela trama gótica sobre obsessão, luta de classes, abuso e crueldade na Inglaterra do século 19 e colocasse um filtro meio "Saltburn" – aquele filme da própria Fennell, que chocou a galera com a famigerada cena da lambida no ralo da banheira, em 2023.
Isso quer dizer que boa parte do enredo original ainda está lá, mas passa pela visão um tanto única da diretora/roteirista, que prefere focar na relação doentia entre o casal de protagonistas, e em como ela afeta pessoas com azar o suficiente para estarem em sua órbita.
Jacob Elordi e Margot Robbie em cena de 'O morro dos ventos uivantes'
Divulgação
Morro de exageros
Assim como no livro, o novo "O morro dos ventos uivantes" conta a história do relacionamento entre uma jovem de família nobre e um plebeu – e como a diferença entre os dois provoca um ciclo de vingança e loucura.
Na versão de Fennell, tudo é exagerado.
A música é alta e cheia de violinos. Os cenários parecem quase um sonho – ou um pesadelo. Os figurinos poderiam ter saído de um desfile temático da Semana de Moda de Paris.
A tensão sexual é quase sólida, e há uma névoa de suor meio que perpétua gerada por corpos quentes nos morros gelados e uivantes.
Até o melodrama fica ainda mais melodramático – por mais que as partes mais pesadas do livro tenham ficado de fora. E dá para entender quem não consegue curtir tanto.
Primeiro, por adoração à obra original. Segundo, porque dá para discutir uma possível banalização do sofrimento e de relações bem doentias.
Mas há também a análise de que arte nem sempre precisa se preocupar com essas coisas.
Jacob Elordi e Margot Robbie em cena de 'O morro dos ventos uivantes'
Divulgação
Felicidade dura pouco
Margot Robbie está ótima como sempre, mas é Jacob Elordi quem realmente se destaca como o "bruto" Heathcliff – e até se redime pela criatura meio água com açúcar que entregou em "Frankenstein".
Do restante do excelente elenco, a incrível Alison Oliver ("Task") é provavelmente a grande revelação do filme e é impossível ignorar o jovem Owen Cooper, garoto que ficou conhecido pela série "Adolescência".
A única que destoa levemente é Hong Chau ("A baleia") que, apesar de incrível como sempre, parece um tom abaixo, quase como se sua dama de companhia pertencesse a outro filme – talvez uma adaptação mais fiel ao livro.
Lá pela metade, no momento inevitável em que tudo está ótimo, o casal está feliz e o brilho do sol acentua as cores da grama, o ritmo fica perigosamente lento.
Por sorte, felicidade dura pouco e logo o filme engata novamente, e vai que é uma beleza até o final trágico. Não é sempre que dá para dizer isso, mas, no caso de "O morro dos ventos uivantes", o público quer mesmo é uma boa dose de sofrimento.
Cartela resenha crítica g1
Arte/g1
Alison Oliver em cena de 'O morro dos ventos uivantes'
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Margot Robbie, Shazad Latif e Hong Chau em cena de 'O morro dos ventos uivantes'
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Jacob Elordi e Margot Robbie em cena de 'O morro dos ventos uivantes'
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