Nobel de Literatura: Quais os livros de Anne Carson lançados no Brasil?

  • 08/10/2026
(Foto: Reprodução)
Anne Carson ganha o Prêmio Nobel de Literatura 2026 A escritora canadense Anne Carson venceu o Prêmio Nobel de Literatura 2026. Escolhida "por sua obra ousada e inventiva", a autora tem livros publicados no Brasil desde 2017, quando o título "O método Albertine" foi lançado pela Edições Jabuticaba. LEIA TAMBÉM: Como é escolhido o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura Além deste, a canadense que, segundo a academia sueca, "em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea", tem outros sete títulos disponíveis em português e que podem ser comprados aqui no Brasil. Capa de 'O método Albertine'. Reprodução/Edições Jabuticaba 1. O método Albertine Anne Carson revisita Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust, a partir da personagem Albertine. A autora recorta, traduz e reorganiza trechos da obra em um texto que mistura ensaio, crítica literária, tradução e poesia. O resultado é uma reflexão sobre a paixão por um livro, marcada por humor, fascínio e impaciência. Lançamento no Brasil: 2017. Editora: Edições Jabuticaba. Capa de 'Autobiografia do vermelho'. Reprodução/Editora 34 2. Autobiografia do vermelho Em um romance escrito em versos, Anne Carson recria o mito grego de Gerião, um monstro vermelho que, segundo a tradição, é morto por Héracles em um dos trabalhos do herói. Na versão da autora, Gerião é transformado em um jovem sensível e introspectivo dos tempos modernos. A história acompanha sua infância, seu amadurecimento e o relacionamento amoroso turbulento com Héracles. Lançamento no Brasil: 2021. Editora: Editora 34. Capa de 'Sobre aquilo em que eu mais penso'. Reprodução/Editora 34 3. Sobre aquilo em que eu mais penso A coletânea reúne 11 ensaios escritos por Anne Carson ao longo de mais de uma década. A autora aproxima temas, períodos e personagens aparentemente distantes — de Virginia Woolf e Tucídides a Homero e Elizabeth Bishop — para investigar literatura, arte, história, tradução e criação. O livro evidencia a mistura entre pesquisa acadêmica, crítica e invenção que caracteriza sua obra. Lançamento no Brasil: 2023. Editora: Editora 34. Capa de 'Eros: o Doce-Amargo'. Reprodução/Bazar do Tempo 4. Eros, o doce-amargo Primeiro livro de crítica literária de Anne Carson, Eros, o doce-amargo nasceu de sua tese de doutorado. A autora investiga a ideia de desejo amoroso desde a Grécia Antiga, partindo de um verso da poeta Safo que define Eros como “doce-amargo”. Ao longo do livro, Carson relaciona poesia, filosofia, literatura, história e psicanálise para mostrar como o desejo está ligado à falta, à dor e à busca pelo conhecimento. Lançamento no Brasil: 2022. Editora: Bazar do Tempo. Capa de 'A beleza do marido: um ensaio ficcional em 29 tangos'. Reprodução/Bazar do Tempo 5. A beleza do marido: um ensaio ficcional em 29 tangos Anne Carson conta a história de um casamento que se desfaz em 29 “tangos”. A partir da ideia do poeta John Keats de que “beleza é verdade”, a autora combina cenas eróticas, dolorosas, cômicas e afetivas para refletir sobre amor, beleza, verdade e ilusão. O resultado é um híbrido de poesia, ensaio e narrativa sobre o fim de um relacionamento. Lançamento no Brasil: 2024. Editora: Bazar do Tempo. Capa de 'Antigonick'. Reprodução/New Directions Publishing Corporation 6. Antigonick Anne Carson faz uma tradução livre e experimental de Antígona, tragédia de Sófocles sobre o conflito entre a lei do Estado e a consciência individual. A autora reinventa ritmos, imagens e vozes do texto clássico e acrescenta comentários bem-humorados. A adaptação também introduz Nick, personagem silencioso que permanece em cena medindo objetos e situações enquanto a tragédia se desenrola. Lançamento no Brasil: 2026. Editora: Bazar do Tempo. Capa de 'Falas Curtas'. Reprodução 7. Falas curtas O livro reúne poemas em prosa que transitam entre memória, história, ficção e reflexão. Anne Carson parte de personagens, acontecimentos e referências que vão de Ovídio e Parmênides a Brigitte Bardot para investigar como palavras e histórias podem produzir novos significados. A edição brasileira é bilíngue e preserva o jogo de linguagem característico da autora. Lançamento no Brasil: 2022. Editora: Relicário Edições. Capa de 'Vidro, ironia e deus'. Reprodução/Relicário Edições 8. Vidro, ironia e deus A coletânea reúne cinco poemas longos e um ensaio em que Anne Carson aproxima experiências íntimas, literatura clássica e questões contemporâneas. Os textos abordam temas como amor, perda, identidade, alienação e religião. Entre eles está O ensaio de vidro, sobre o fim de um relacionamento em diálogo com a obra de Emily Brontë, além de reflexões sobre gênero, voz, história e o sagrado. Lançamento no Brasil: 2026. Editora: Relicário Edições. Anne Carson ganhou o Prêmio Nobel de Literatura 2026. Reprodução Quem é Anne Carson A escritora canadense Anne Carson na 75ª edição do National Book Awards no Cipriani Wall Street em 20 de novembro de 2024, na cidade de Nova York. DIMITRIOS KAMBOURIS / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP Carson nasceu em 1950, em Toronto, no Canadá. Em 1981, publicou sua tese de doutorado em Estudos Clássicos, intitulada "Odi et Amo Ergo Sum". Ao longo de toda a carreira, combinou a escrita de poesia com o trabalho de tradução e o ensino em diferentes universidades. A própria autora já identificou a etimologia das palavras como ponto de partida para todo o seu trabalho. A década de 1990 marcou a publicação de uma obra frequentemente apontada como a maior de Carson: "Autobiography of Red: A Novel in Verse (1998)". O livro demonstra sua notável capacidade de atualizar a tradição literária clássica. Com um olhar preciso para os modos de falar e as experiências contemporâneas, Carson parte de fragmentos de poemas do poeta grego Estesícoro, do século VI a.C., sobre o monstro vermelho alado Gerião. Livros escritos por Anne Carson, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2026, em exposição na livraria Waterstones em Londres. REUTERS/Hannah McKay Ao longo de sua obra, Carson explora, com leveza, as possibilidades da escrita, processo em que o esboço literário adquiriu particular importância para ela. Um exemplo é "Float" (2016), trabalho composto por 22 pequenos livros sobre temas diferentes, que podem ser lidos em qualquer ordem. Outro é "Wrong Norma", de 2024, uma combinação diversa de textos com forte caráter performático, na qual Carson transita por diferentes campos artísticos e acadêmicos. Suas colaborações com artistas visuais, coreógrafos e diretores de ópera e teatro demonstram a liberdade com que ela se relaciona com as expectativas literárias e os sistemas de regras. Nobel da Literatura em números Desde 1901, foram 123 laureados em 119 premiações. Isso porque em quatro delas, dois nomes foram anunciados como vencedores no mesmo ano. Até hoje, ninguém foi premiado mais de uma vez. Não houve premiação em sete ocasiões: 1914, 1918, 1935, 1940, 1941, 1942 e 1943. Busto de Alfred Nobel na Academia Sueca no dia em que o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2026 é anunciado, em Estocolmo. REUTERS/ Tom Little Rudyard Kipling foi o mais jovem vencedor do prêmio. Em 1907, quando foi nomeado, tinha 41 anos de idade. Já a mais velha foi Doris Lessing, que estava com 87 anos quando foi premiada em 2007. Até hoje, 19 mulheres foram premiadas com o Nobel de Literatura, diante de dezenas de homens. Ao longo dos mais de cem anos de premiação, duas pessoas declinaram ao Nobel: Boris Pasternak, em 1958, e Jean Paul Sartre, em 1964. Boris foi obrigado pelas autoridades de seu país a recusar o prêmio. Já Sartre, historicamente, sempre recusou todas as homenagens oficiais. Os últimos vencedores do Prêmio Nobel de Literatura Em 2025, o húngaro László Krasznahorkai foi o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. Segundo o comitê, o escritor venceu "por sua obra convincente e visionária que, em meio ao terror apocalíptico, reafirma o poder da arte." Ele é conhecido por romances exigentes e distópicos, com tom filosófico, como "Sátántangó" e "Melancolia da resistência". O autor recebeu diversos outros prêmios de prestígio, entre eles o Man Booker International Prize em 2015 pelo conjunto da obra. Ao longo da carreira, Krasznahorkai viveu períodos fora da Hungria: em 1987 esteve em Berlim Ocidental, e viajou pelo Leste Asiático nos anos 90. Ele também residiu em Kyoto e por um tempo em Nova Iorque. Essas experiências influenciaram bastante sua obra a partir dos anos 90. 2025: László Krasznahorkai (Hungria) 2024: Han Kang (Coreia do Sul) 2023: Jon Fosse (Noruega) 2022: Annie Ernaux (França) 2021: Abdulrazak Gurnah (Tanzânia) 2020: Louise Glück (Estados Unidos) 2019: Peter Handke (Áustria) 2018: Olga Tokarczuk (Polônia) 2017: Kazuo Ishiguro (Reino Unido) 2016: Bob Dylan (Estados Unidos) Relembre as mulheres que já venceram a premiação A lista inclui a laureada mais velha da premiação, a escritora Doris Lessing, que recebeu o Nobel aos 87 anos, em 2007. Com mais de 50 romances lançados, Doris morreu em 2013, aos 94 anos. Confira: 2026: Anne Carson 2024: Han Kang (Coreia do Sul) 2022: Annie Ernaux (França) 2020: Louise Glück (Estados Unidos) 2018: Olga Tokarczuk (Polônia) 2015: Svetlana Alexievich (Belarus) 2013: Alice Munro (Canadá) 2009: Herta Müller (Romênia/Alemanha) 2007: Doris Lessing (Reino Unido) 2004: Elfriede Jelinek (Áustria) 1996: Wisława Szymborska (Polônia) 1993: Toni Morrison (Estados Unidos) 1991: Nadine Gordimer (África do Sul) 1966: Nelly Sachs (Alemanha) 1945: Gabriela Mistral (Chile) 1938: Pearl S. Buck (Estados Unidos) 1928: Sigrid Undset (Noruega) 1926: Grazia Deledda (Itália) 1909: Selma Lagerlöf (Suécia) O que é o Prêmio Nobel A láurea foi criada pelo químico e empresário Alfred Nobel. Inventor da dinamite em 1867, o sueco doou a maior parte de sua fortuna em testamento para a criação de prêmios de física, química, medicina, literatura e paz (o prêmio de economia foi criado anos mais tarde). O documento dizia que os prêmios deveriam ser concedidos "àqueles que, durante o ano anterior, tenham conferido o maior benefício à humanidade". Contudo, hoje em dia, conforme explica Juleen Zierath, membro do Instituto Karolinska - o júri do Nobel de Medicina-, essa regra não é mais tão levada à risca. "Você pode ter feito essa descoberta em um estágio muito inicial de sua carreira de pesquisa, ou pode ter feito essa descoberta em um estágio muito avançado de sua carreira de pesquisador", ressalta a pesquisadora. Veja o cronograma dos próximos anúncios do Prêmio Nobel em 2026: Paz: sexta-feira, 9 de outubro Economia: segunda-feira, 12 de outubro

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2026/10/08/nobel-de-literatura-quais-os-livros-de-anne-carson-lancados-no-brasil.ghtml


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