'Matéria escura' vai além de limites do livro original em 2ª temporada com ajuda de atores: 'Página em branco'
30/09/2026
(Foto: Reprodução) Entrevista: Jennifer Connelly, Joel Edgerton e Alice Braga, de 'Matéria escura'
Depois do sucesso ao adaptar o best-seller de mesmo nome, a série "Matéria escura" chegou à sua segunda temporada – como o próprio título sugere – no escuro.
Mesmo após esgotar o livro de Blake Crouch, não havia motivo para desespero. Afinal, a obra, uma das mais assistidas da plataforma de streaming Apple TV, podia contar com o próprio Crouch como seu criador e showrunner.
"Era como um território desconhecido, como uma página em branco", diz o ator Joel Edgerton ("Sonhos de trem") em entrevista ao g1.
Ao dividir a função de protagonista com a de produtor executivo, o australiano de 52 anos ajudou a estabelecer os rumos dos personagens.
"Nós fomos convidados para essas conversas um pouco mais cedo, e ficamos muito satisfeitos com a estrutura e os planos traçados pelo Blake e que ele e a Jacqueline (Ben-Zekry, esposa e editora do autor) estão escrevendo. E depois fomos convidados a ajudar a dar cor e acrescentar detalhes ao nosso relacionamento. Foi muito bom ser acolhido nesse processo criativo sem precisar forçar a barra."
A nova temporada, cujo sexto episódio estreia nesta sexta-feira (2), explora o destino da família do professor de física interpretado por Edgerton, escondida em um universo paralelo para fugir de suas infinitas versões alternativas – multiversos não são fáceis de resumir.
"A premissa da segunda temporada, a estrutura dela, eu não tive nada a ver com isso. Isso é coisa do Blake e da Jackie, e eu gostei de ouvir sobre os caminhos que eles queriam seguir", afirma Jennifer Connelly ("Top Gun: Maverick"), que dá vida à mulher do protagonista.
"Como produtores executivos, acho que o nosso papel é estar mais presentes nessas conversas sobre como, como disse o Joel, nós daríamos corpo a isso, como preencheríamos essa estrutura básica que eles montaram sobre o que é esse casamento, o que eles enfrentam e onde vão parar. Então, foi uma colaboração muito bacana de fazer parte."
Joel Edgerton e Jennifer Connelly em cena de 'Matéria escura'
Divulgação
A liberdade das amarras do livro faz bem à série. O quinto episódio marca uma boa mudança para a narrativa ao acompanhar as repercussões da fuga dos protagonistas para uma das outras versões do professor – e a paz obtida em um universo onde reencontra sua mãe.
"Eu sinto que essa temporada, o Blake tomou a decisão de fazer uma viagem interna desses personagens, de descobrir como é que esses personagens vão sobreviver através dessas transformações e o fato de ninguém mais estar no seu próprio universo e não ter como voltar para casa, de ter que se adaptar", fala a brasileira Alice Braga ("Cidade de Deus").
Intérprete de uma personagem que decide ficar em uma realidade aparentemente perfeita, ela conta que o destino da psicóloga gerava o maior número de questionamentos dos fãs do livro para o autor.
"Foi desafiador porque muda de certa forma algumas coisas de tom, e foi desafiador porque é isso: quando você tira todos os personagens do seu próprio mundo e bota eles um pouco espalhados por tantos universos paralelos e com multiplicações de suas próprias versões, fica muito muito muito confuso e muito dinâmico."
Jimmi Simpson e Alice Braga em cena de 'Matéria escura'
Divulgação
Os momentos que mudaram suas vidas
Com essa narrativa sobre caminhos nunca tomados e infinitas possibilidades, os atores refletiram sobre as obras que mudariam suas carreiras caso não tivessem feito parte.
"'Réquiem para um sonho'. E teve um filme chamado 'Amor maior que a vida'. São mais ou menos da mesma época. Eu comecei a trabalhar quando era muito nova. Fiz meu primeiro filme quando tinha 11 anos, e, àquela altura, estava fazendo mais por outras pessoas", conta Connelly.
"Esses dois filmes, mais ou menos nessa época, foram quando começou a ser mais o meu trabalho, e eu comecei a explorar como isso poderia ser. Acho que eu comecei a trazer mais de mim mesma, de um jeito mais autêntico, ao meu trabalho. Esses dois filmes foram um verdadeiro ponto de virada para mim nesse sentido."
Aos 55 anos, a atriz americana lembra também de "Uma mente brilhante" (2001), quando conheceu o britânico Paul Bettany.
"Eu conheci meu marido lá e construí, você sabe, alguns relacionamentos obviamente importantes."
Para Edgerton, uma participação pequena fez toda a diferença.
"Ah, acho que foi 'Star Wars' para mim. Porque ele realmente construiu a ponte para mim e com certeza me permitiu ir para os EUA da Austrália e fazer essa jornada. Por mais que eu esteja no filme por tão pouco tempo, abriu muitas portas para mim, e me deu a confiança de ir e fazer algo que me assustava", diz o ator, que apareceu rapidamente como o tio de um futuro Luke Skywalker em "Star Wars: Episódio II - Ataque dos Clones" (2002).
No caso da brasileira, "Cidade de Deus" (2002) foi além de ser um dos maiores sucessos do cinema nacional. O filme de Fernando Meirelles ajudou Braga a decidir de uma vez por todas investir na atuação.
"Eu estava no terceiro colegial quando eu fiz, e eu estava muito na dúvida se eu queria seguir uma carreira de atriz ou se eu ia – eu já estudava teatro e tal – trabalhar por trás das câmeras", afirma ela.
"'Cidade de Deus' foi um divisor de águas até porque foi para mim a consumação do quanto eu sou louca por cinema, assim. Eu sempre fui filha de cinéfilos, sempre amei muito cinema, mas estar num set de filmagem como aquele, com um diretor como o Fernando Meirelles, que eu admiro profundamente, é uma pessoa que eu adoro, foi muito mágico, muito especial."