Evi Goffin, ex-voz da banda Lasgo, já tem até CPF e revela amor pelo Brasil: 'Me sinto em casa aqui'
28/08/2026
(Foto: Reprodução) De 'marionete' a dona de si: Evi Goffin, ex-Lasgo, fala sobre volta aos palcos
🪩"É apenas uma questão de tempo, e eu irei me render."
O trecho é parte do refrão de uma das músicas mais tocadas em baladas e festas no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, chamada "Surrender", lançada pelo grupo belga de eurodance Lasgo. Evi Goffin, ex-vocalista da banda, segue carreira solo atualmente, mas ainda resgata a nostalgia da época e do público, que "se rende" à pista de dança.
Evi tem 45 anos e é uma das maiores referências do eurodance — gênero de música eletrônica que tem como principal característica o ritmo acelerado. Em entrevista ao g1, a cantora falou sobre o início da carreira, como conquistou sua independência artística depois de sair do Lasgo e como a forma de produzir e vender música mudou ao longo dos anos. Assista à entrevista na íntegra mais abaixo.
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A cantora vai se apresentar neste sábado (29) no espaço Floresta Convenções e Eventos, localizado na Avenida Três de Março, no bairro Alto da Boa Vista, em Sorocaba (SP). Os ingressos ainda estão disponíveis e podem ser adquiridos por meio do site.
Evi Goffin é ex-vocalista do grupo belga Lasgo, referência no Eurodance
Reprodução
🎸 Início da carreira e paixão pelo rock
Apesar de ser uma estrela da música eletrônica, Evi nem sempre pertenceu a este universo "badalado". Durante a infância, ela era fascinada por rock, em especial pela banda Nirvana e pelo vocalista Kurt Cobain.
"Minha mãe sempre dizia que eu comecei a cantar antes de aprender a falar. Acho que definitivamente nasci para isso. Mas, curiosamente, quando eu era criança eu não tinha tantas artistas femininas como referência. (...) Amava o cenário grunge e o rock e pensava: 'Um dia eu quero fazer rock', mas isso nunca aconteceu. Naquela época, comecei a tocar um pouquinho de violão; ainda não sou boa, mas gosto de dedilhar de vez em quando", disse Evi.
Evi Goffin, voz do Lasgo, fala sobre liberdade criativa e volta aos palcos
Mesmo não trabalhando com o rock, Evi está sempre envolvida com a estética do gênero, cantando em casa ou em bares com karaokê. Segundo ela, a família também gosta de música. Seu filho mais novo, Jules, já produz samples e gosta bastante de ouvir Depeche Mode, banda de música eletrônica inglesa famosa nos anos 1980.
"Ele (Jules) realmente nasceu em uma família muito musical. Ele não canta, mas já produz. Ele trabalha com lógica, faz remakes de músicas antigas e é super fã do Depeche Mode. Ele tem só 12 anos, ouve as músicas, abre o computador, procura os samples e faz tudo do zero, o que é incrível por ser super difícil. Ele respira música o dia inteiro, só não curtimos muito som juntos por termos gostos diferentes", acrescentou a cantora.
Evi Goffin, ex-vocalista do Lasgo, durante entrevista ao g1 em Sorocaba (SP)
Gabrielle Wilhelm/g1
O início na 'dance music'
A oportunidade para começar a gravar dance music surgiu quando Evi foi descoberta, aos 15 anos, por uma produtora belga que era especializada neste gênero musical.
Ela fez testes vocais e acabou recebendo um contrato para começar a cantar música eletrônica. Muitos artistas famosos da dance music belga haviam fechado contratos com a gravadora; portanto, para ela, era uma oportunidade enorme e irrecusável.
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Enquanto isso, em casa, ela continuava cantando rock. Tocou em uma banda por diversão, mas com o tempo foi se aprofundando cada vez mais no universo do "dance" e entendeu que era exatamente o que nasceu para fazer.
"Hoje tenho referências como a Sia. Ela não era uma artista de dance no início, era mais indie. Depois, ela começou a fazer essas parcerias eletrônicas e cresceu mantendo a sua voz única. Eu acho isso fantástico, porque sinto que eu também não tenho o vocal típico de música eletrônica. É legal você conseguir misturar esses dois mundos", pontuou.
Evi Goffin, ex-vocalista do grupo Lasgo
Reprodução
🎶 Saída do Lasgo e início da carreira solo
Apesar do sucesso estrondoso nos anos 2000, a rotina intensa e a falta de autonomia cobraram o seu preço, segundo Evi.
A cantora relembrou que, durante os anos com o Lasgo, sentia-se como uma "marionete" da indústria, sem poder de escolha sobre a própria agenda ou imagem. O cansaço das turnês e a distância do primeiro filho, que tinha apenas um ano na época, foram o estopim para que ela abandonasse os palcos, convicta de que nunca mais voltaria.
O hiato de Evi, no entanto, chegou ao fim em 2018, marcando o início de uma carreira solo em que ela finalmente dita as próprias regras, com maior liberdade criativa para escolher suas roupas, músicas e atrações no palco. Seu primeiro show após a pausa foi na Dinamarca.
"Estou em um momento da vida onde decido tudo o que eu quero ou não fazer. Anos atrás, era diferente, eu era quase uma 'marionete' (...) isso mudou tudo porque hoje eu genuinamente aproveito o que faço. Estar naquele palco é escolha minha. Se você pegar gravações minhas de 25 anos atrás, eu me sentia superinsegura e um tanto desajeitada. Olhando para mim agora, dá para ver o quanto eu amadureci. Não é só a experiência de palco, mas como você se sente, de forma confortável com o seu propósito", afirmou.
Evi Goffin iniciou a carreira solo em 2018, ditando as próprias regras
Reprodução
💚🩵💛 'Tenho até CPF'
Depois de voltar aos palcos, Evi tem vindo com frequência ao Brasil, porque muitos de seus shows fazem sucesso pelo país, justamente por resgatar a nostalgia do eurodance. Além disso, ela desenvolveu um grande carinho pelo país e, no ano passado, até tirou seu CPF. Ela também tem uma tatuagem em homenagem ao país.
"Eu amo o Brasil, me sinto em casa aqui", destacou.
A cantora decidiu solicitar o documento para realizar operações financeiras no Brasil, principalmente serviços como delivery de comida e farmácias. Durante sua visita à redação do g1, Evi pôde experimentar a famosa coxinha de Sorocaba que, segundo ela, foi a melhor que já comeu.
"Eu nem estava com vontade de comer coxinha, mas agora não consigo parar de comer", disse.
Evi Goffin, ex-vocalista do Lasgo, experimentou famosa coxinha de Sorocaba (SP)
Gabrielle Wilhelm/g1
Não é apenas a culinária e o calor dos fãs brasileiros que são apreciados por Evi. Ela é fã da música brasileira e admira muito o DJ Alok. Apesar de entender bem o português, ela considera o idioma muito difícil, principalmente para falar. Um de seus sonhos é poder gravar músicas com letras no idioma.
"Além dele (Alok), eu gosto muito do funk brasileiro e do pagode. Não sei o nome de nenhum artista específico, mas gosto do som. Eu gosto das festas, da energia e da atmosfera. Estamos trabalhando em um material novo e eu estava pensando em implementar elementos brasileiros, especialmente pensando no público do Brasil", afirmou.
A cantora destaca que está aberta para "collabs" com artistas brasileiros, especialmente DJs, por já estar inserida no cenário eletrônico.
📀 Público brasileiro emociona e é 'avassalador'
A cantora destacou que o público brasileiro é especialmente avassalador quando se trata de cantar e curtir seus shows. A maior diferença entre as plateias está no respeito e na gratidão dos brasileiros, que conseguem perceber que ela não está no palco apenas para ser mais uma atração.
Das músicas uptempo — mais agitadas —, "Surrender" é a favorita de Evi para cantar; já "Searching", como é mais lenta, permite que ela expresse melhor os sentimentos da letra e explore suas habilidades e alcances vocais.
"Se perguntar para qualquer um que trabalha comigo, eu sempre choro um pouquinho na maioria dos meus shows aqui no Brasil. É algo avassalador, em um sentido muito bom. É um sentimento que, sinceramente, não consigo expressar em palavras. Porque as pessoas continuam ali depois de 25 anos, me apoiando, mostrando todo esse carinho e cantando junto. Ver que eu levo as pessoas de volta aos bons tempos, podendo reviver aquilo, me sinto imensamente abençoada", afirmou.
"O fã brasileiro enxerga que você está se apresentando para ele, sabe? Eles interagem, agradecem, pulam, mostram energia cantando. Eles reagem a mim com essa energia que eu sinto daqui de cima, e isso volta para mim. O Brasil é o único país do mundo com essa vibe", celebra.
Show de Evi Goffin, ex-vocalista do Lasgo, em São Paulo
Instagram/Reprodução
🕺O futuro do eurodance e dance music
Com mais de duas décadas de carreira, Evi acompanhou de perto as transformações drásticas na indústria musical, desde a época em que os CDs e vinis dominavam as vendas e dependiam de grandes gravadoras até atualmente, na era das plataformas de streaming, onde milhares de músicas são lançadas diariamente.
Questionada sobre o futuro do eurodance e da dance music no geral, Evi afirma que, impulsionado pela geração atual e por grandes nomes da música contemporânea como David Guetta, Charli XCX e Sia, o gênero deve continuar sendo "revivido" com o passar dos anos, afinal é um ciclo que já está se repetindo.
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A música eletrônica tem a força de ter melodias constantes e fáceis de decorar, permitindo que sejam utilizadas em diferentes samples.
"Se você chegasse para mim, há 25 anos, e dissesse: 'Evi, daqui a 25 anos você continuará em cima de um palco, cantando as mesmas músicas, tanto para quem envelheceu com elas quanto para os jovens', eu não acreditaria. As chances de isso dar certo na música são pequenas, mas aqui estamos. É o que me deixa mais agradecida", enfatizou.
A cantora belga Evi Goffin se apresentou em Campinas (SP)
Adilson Luciano
Apesar dessa facilidade atual de distribuição de músicas, a cantora enxerga o cenário com cautela, afinal, o grande desafio é a concorrência. Para a artista, a grande diferença entre fazer música no passado e hoje em dia é o desafio de encontrar originalidade ao criar algo "do zero".
"Hoje em dia você lança (uma música) na internet e em plataformas abertas como o Spotify para o mundo todo. A parte ruim é a quantidade de lançamentos, com 100 mil novas músicas diariamente. Tem muito material novo bom saindo a cada segundo, e é tão difícil competir com essas outras pessoas", destacou Evi.
Questionada sobre o futuro da música eletrônica, Evi acredita que a indústria é cíclica e que a tendência atual de construir novos hits a partir de samples de faixas clássicas deve se manter por um tempo. Para ela, o resgate de batidas do passado pela nova geração é motivo de orgulho.
"Sabe, tudo acaba voltando eventualmente. Pode levar 10 ou 15 anos, mas tudo vai voltar. Então eu acho que os samples continuarão sendo uma grande parte do cenário eletrônico no futuro. (...) É por isso que é tão importante ter um sucesso que todo mundo conhece e que tem um som de fácil reconhecimento, porque será usado novamente. Temos tantas canções que estão sendo usadas de novo e de novo em diferentes períodos de tempo, e isso é uma coisa boa", concluiu.
Evi Goffin, ex-vocalista do Lasgo era fã de Nirvana e do Kurt Cobain
Reprodução
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