'Bonéu': criador do chapéu de João Gomes fala sobre sucesso do acessório
30/03/2026
(Foto: Reprodução) 'Bonéu': criador do chapéu de João Gomes fala sobre sucesso do acessório
O Globo Repórter viajou até o Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, para conhecer quem faz a cabeça — literalmente — de João Gomes. Foi em um espaço, cheio de ferramentas, moldes e chapéus em diferentes cores, que nasceu o acessório que nunca mais saiu da cabeça do cantor. O artesão responsável atende pelo nome de Irineu. Veja no vídeo acima.
Inspiração
A criação do chapéu — ou melhor, do bonéu, como ele faz questão de chamar — tem raiz profunda na memória familiar do cantor. O modelo se inspira em Nato Gomes, avô de João, vaqueiro respeitado no sertão.
João Gomes reforça a admiração: “Era um herói, uma coisa mística. A gente via ele com muita admiração”. Fotos antigas do cantor com o avô ajudam a contar essa trajetória de afeto e identidade.
Um presente que virou símbolo
A ideia do chapéu surgiu como um presente simples, mas carregado de significado. “Fiquei pensando: o que vou dar pra João? Aí pensei: seu Irineu, que tal a gente fazer um chapéu?”, conta Kátia, mãe do cantor.
O artesão lembra com detalhes do primeiro modelo. “Fiz esse vinho, nessa cor aqui. Dona Kátia me disse que no dia em que ele recebeu, dormiu com o boné na cabeça”, conta, sorrindo.
Desde então, o acessório passou a acompanhar João em todos os palcos. “Agora eu não subo sem ele”, afirma o cantor. O chapéu virou extensão da imagem de João Gomes, presente em shows, entrevistas e até apresentações históricas, como o especial de fim de ano da TV Globo, em que dividiu o palco com Roberto Carlos.
Boné ou bonéu?
A dúvida é comum, mas seu Irineu não hesita na resposta. “Esse aqui é o bonéu. Ele é um chapéu com a aba direta, só na frente. Eu digo que é um bonéu, filho do chapéu”, explica, apontando para a própria cabeça.
O termo ganhou força junto com o sucesso do acessório, reforçando a identidade nordestina e artesanal da peça, em contraste com tendências de grandes grifes.
'Bonel': criador do chapéu de João Gomes fala sobre sucesso do acessório
Reprodução/TV Globo
Trabalho dobrado, gratidão triplicada
O sucesso inesperado trouxe mais trabalho — e com ele, gratidão. “Eu vou até reclamar com João”, diz Irineu, em tom de brincadeira. “Ele me fez dobrar meu trabalho. Já chegando aos 60 anos, o homem me fez trabalhar o dobro do que eu tava trabalhando.” Logo depois, completa: “Sou muito grato a João, muito grato mesmo”.
De origem humilde, o artesão se emociona ao falar da própria trajetória. “Meus avós não estudaram nenhum dia. Meu pai estudou 15 dias. Eu fiz a quarta série. E hoje tenho a felicidade de ver meus três filhos com curso superior.”
Globo Repórter revela bastidores de onde chapéu de João Gomes é criado
Reprodução/TV Globo
Do sertão para o mundo
João Gomes faz questão de exaltar o talento do amigo. “Eu conheço Irineu, sei da realidade dele. Sempre falo: ‘Você tem que ir pra Fashion Week, véio. Tem que ir pra Paris’”, brinca. Para o cantor, vestir peças feitas no sertão é também um posicionamento. “A gente chega em lojas de grife, vê umas coisas ‘peba’ com preço avassalador. É muito bom a gente vestir essa turma aqui.”
No fim da visita, seu Irineu ainda solta um repente dedicado ao cantor: “João Gomes, seja bem-vindo à cidade de Salgueiro. Tu tens um talento profundo, de Serrita para o mundo. Tu és o príncipe do piseiro!”
E resume, em poucas palavras, o sentimento que ajudou a moldar o bonéu — e a própria história dos dois:
“Viva o menino que leva nosso sertão para o mundo sem esquecer as origens.”
João Gomes em show com bonel
Reprodução/TV Globo
Veja a íntegra do programa no vídeo abaixo:
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