Benedito Ruy Barbosa: dramaturgo conhecido por verdadeiras sagas, tem tramas icônicas como legado
07/07/2026
(Foto: Reprodução) 'Terra Nostra', 'Sinhá Moça': as novelas marcantes de Benedito Ruy Barbosa
"Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor", definiu Benedito Ruy Barbosa em depoimento ao Memória Globo. O autor e dramaturgo morreu nesta terça-feira (7) em São Paulo devido a complicações de insuficiência renal crônica.
Conhecido por verdadeiras sagas, Benedito construiu histórias que atravessam o universo rural brasileiro, exploram a diversidade cultural – com interesse especial na imigração italiana – e apresentam amores intensos.
Seu legado inclui tramas icônicas como "Meu Pedacinho de Chão" (1971), "Pantanal" (1990), "O Rei do Gado" (1996) e "Terra Nostra" (1999), marcadas por protagonistas de "bom caráter, determinação para a luta, crença em valores positivos" – como o próprio definiu.
O mais velho entre cinco irmãos, Ruy Barbosa nasceu em Gália, no interior de São Paulo, em 1931, e passou a infância na vizinha Vera Cruz, uma região de cafezais habitada por imigrantes japoneses e italianos.
Benedito Ruy Barbosa
TV Globo/acervo
Com a morte precoce do pai, precisou trabalhar desde cedo para ajudar a família. Ao longo da juventude, trabalhou como auxiliar em uma firma comercial, vendedor de verduras e faxineiro, até conseguir um emprego como revisor no jornal "Estado de S. Paulo".
O gosto pela escrita levou Benedito a criar seu primeiro romance, "Fogo Frio", que foi adaptado para o teatro e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, o começo de sua trajetória como roteirista.
Sua estreia na televisão aconteceu em 1966, com "Somos Todos Irmãos", na TV Tupi. Nos anos seguintes, passou por emissoras como Excelsior, Record e TV Cultura. Em 1971, escreveu "Meu pedacinho de chão", novela produzida por uma parceria da Cultura com a Globo e exibida por ambas.
Cinco anos depois, assinou com a Globo, onde deu início a uma sequência de sucesso na faixa das 18h. Nessa época, adaptou o romance de Ribeiro Couto em "Cabocla" (1979).
Em 1990, ao se transferir para a TV Manchete, Benedito escreveu "Pantanal", que inovou ao utilizar locações externas e explorar a cultura e os mistérios do bioma brasileiro.
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Benedito Ruy Barbosa
João Miguel Junior/TV Globo
Com o sucesso, retornou à Globo para escrever "Renascer" (1993), trama ambientada no interior baiano e marcada pelo duelo de gerações do coronel José Inocêncio.
Ambas seriam refilmadas décadas depois, escritas por seu neto, Bruno Luperi.
Com "O Rei do Gado" (1996), Benedito abordou a rivalidade entre duas famílias de imigrantes italianos, enquanto discutia temas como a posse de terra e a reforma agrária.
Já em "Terra Nostra" (1999), retratou o drama dos italianos Matteo e Giuliana, separados ao chegarem ao Brasil no início do século XX.
Ruy Barbosa também revisitou suas próprias obras. Em 2006 e 2014, assinou as refilmagens de "Sinhá Moça" e "Meu Pedacinho de Chão". Na versão cheia de cores da segunda obra, declarou que finalmente conseguiu colocar no ar ideias que a censura havia barrado na primeira versão, durante a ditadura militar.
Sua última novela foi "Velho Chico", em 2016, a qual escreveu com a ajuda de Luperi e da filha, Edmara Barbosa.
Ambientada na fictícia cidade de Grotas do São Francisco, no sertão nordestino, a trama apresentou um embate de gerações e a disputa por terra e poder no interior do Brasil.
Com a morte do protagonista Domingos Montagner na reta final das gravações, o criador e supervisor da obra teve o desafio de decidir como terminar a história sem o ator e, ao mesmo tempo, homenageá-lo com a conclusão do personagem.
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