Aos 80 anos, João Bosco ganha a Medalha UBC e compartilha a honraria com o imortal parceiro Aldir Blanc
27/08/2026
(Foto: Reprodução) João Bosco é o homenageado da quarta edição da Medalha UBC, honraria da União Brasileira de Compositores
Leo Aversa / Divulgação
♫ ANÁLISE
♬ Na próxima quarta-feira, 2 de setembro, Aldir Blanc (1946 – 2020) faria 80 anos. Na véspera, 1º de setembro, João Bosco – com quem Aldir construiu obra fundamental em parceria que atingiu o auge na década de 1970 – será laureado com a Medalha UBC, conferida ao compositor, cantor e violonista mineiro pela União Brasileira de Compositores.
É sintomático que João Bosco, também ele já um octogenário desde 13 de julho, receba a honraria tão perto do aniversário de Aldir Blanc. É que a dupla Bosco & Aldir se manteve inseparável e imortalizada no panteão da música brasileira, por mais que Bosco tenha mantido a relevância da obra autoral após a dissolução gradual da parceria – apresentada em 1972 e diluída na primeira metade dos anos 1980 – através da feitura de músicas com poetas como Antonio Cicero (1945 – 2024), Francisco Bosco, José Carlos Capinan e Waly Salomão (1943 – 2003). Sem falar nas várias composições que fez e assinou sozinho, caso de “Jade” (1989).
É difícil falar de Aldir Blanc sem mencionar João Bosco. E vice-versa. Eleger João Bosco como o homenageado da quarta edição da Medalha UBC – em cerimônia que terá um pocket show para convidados que reunirá nomes como Badi Assad, Joyce Alane, Juliana Linhares, Laura de Castro e Pedro Luís no palco da Casa UBC, no Rio de Janeiro (RJ), sob direção musical de Julinho Teixeira – é também celebrar Aldir Blanc na semana dos 80 anos do bardo carioca.
O próprio João Bosco estende a homenagem ao parceiro falecido há seis anos, vítima de covid-19. “Toda homenagem ao compositor é, antes de tudo, uma homenagem à própria canção. É dela que nasce o encontro entre quem escreve, quem interpreta e quem escuta. Recebo a Medalha UBC com alegria e gratidão, olhando para essa longa caminhada, de mais de trezentas composições, como quem continua aprendendo com a música todos os dias. Divido essa distinção com meus estimados parceiros, principalmente com aquele que já não está aqui, mas que de certa forma esteve sempre ao meu lado, Aldir Blanc, e também com os intérpretes que deram vida às minhas, às nossas canções, e com o público, que é quem completa o sentido de cada uma delas. Seguimos. Ser compositor é um ofício do qual me orgulho”, celebra João Bosco, que estreia oficialmente o show comemorativo dos 80 anos em 2 de outubro, na casa Qualistage, no Rio de Janeiro (RJ).
Diretor executivo da UBC, Marcelo Castello Branco também menciona Aldir Blanc ao justificar a escolha de Bosco para receber a medalha já entregue a Fausto Nilo, Luiz Caldas e Guilherme Arantes. “João Bosco é um patrimônio da música brasileira, como testemunha musical de nossas perplexidades, desventuras e amores. A parceria de João com Aldir Blanc produziu canções eternas que descreveram com sensibilidade o nosso tempo social, político e afetivo, com nossas contradições, pequenezas e altruísmos. A dupla foi fundamental na construção das infinitas possibilidades da música brasileira. Como instrumentista, João é um virtuoso, um artesão de um som particular, que alia simplicidade e complexidade com genialidade despretensiosa”, resume Marcelo Castello Branco.